Como conciliar estudos e festas de fim de ano
12 de dezembro de 2018
A importância da leitura e da produção textual na construção de sujeitos críticos
10 de janeiro de 2019
Exibir tudo

As exigências do mercado de trabalho, que demanda profissionais com alta qualificação, têm levado a um aumento espetacular no número de programas e cursos de pós-graduação no Brasil. Os cursos lato sensu – especializações e MBA – somam mais de 10 mil, nas mais diversas áreas. Na modalidade stricto sensu, a oferta praticamente dobrou nos últimos anos. A meta do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), é duplicar as vagas e a titulação de pós-graduados até 2020.

A demanda pelos programas também aumenta. Em 2010, 922 mil brasileiros estavam matriculados em cursos de pós-graduação. “O momento é propício para investir em uma pós, pois o conhecimento é hoje a moeda mais valiosa na economia brasileira”, afirma Márcio de Castro Silva Filho, diretor de Programas e Bolsas na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela regularização dos cursos do Ensino Superior.

É sabido: para avançar na carreira, é fundamental se manter atualizado. É claro que simpósios e congressos são ferramentas importantes para isso. Mas uma pós enriquece o currículo com uma experiência de peso. “O mundo está mudando numa velocidade alucinante, e as competências são cada vez mais específicas e complexas, em todas as áreas”, diz Luís Testa, diretor de Marketing da Catho, empresa de recrutamento.

A pós também pode ser decisiva na hora de montar ou alavancar o próprio negócio. Veja a história da publicitária Cristina Kerr, de 41 anos, diretora da CKZ Eventos, em São Paulo. Ela procurou o MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), pois não sentia estar crescendo profissionalmente. “Meu trabalho de conclusão de curso mudou essa perspectiva”, conta a publicitária. Instigada pelo orientador, Cristina buscou um nicho de mercado inexplorado e idealizou o Fórum Mulheres em Destaque, o primeiro evento no Brasil a abordar o tema da liderança feminina no mercado de trabalho. O evento é um sucesso, que já está na terceira edição. “Se não fosse o MBA, eu jamais teria coragem de empreender”, conclui a publicitária.

Para aqueles que atuam no meio corporativo, uma pós no currículo é forma de manter um alto nível de empregabilidade. No entanto, a pós, por si só, não garante a ascensão profissional. O gerente da Divisão de Finanças e Contabilidade da consultoria Robert Half, Danylo Hayakawa, alerta: “as empresas levam em conta outras qualificações, como o relacionamento interpessoal, a capacidade de liderança, a experiência no mercado, a vivência no exterior e o domínio de outras línguas”.

Ampliar conhecimentos

Geralmente, o alerta para a necessidade de uma pós soa em meio à rotina de trabalho. Um dia, o profissional depara com novos desafios e sente que é hora de voltar aos estudos, adquirir competências novas ou se atualizar. Para recorrer a uma pós, é preciso ter metas muito claras. “Qualquer curso de pós deve estar atrelado aos objetivos profissionais e ser aplicável na carreira”, enfatiza Hayakawa.

Foi assim com Fabrício Olivati, de 37 anos, que atualmente exerce o cargo de secretário municipal de Saúde de Capão Bonito, cidade do interior de São Paulo. Olivati é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2001. Ao se envolver com a coordenação de ações para a saúde bucal da população, ele sentiu que precisava aumentar sua qualificação para atuar em gestão. Em 2008, inscreveu-se no mestrado profissional em Odontologia em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ainda no início do curso, Olivati foi convidado a assumir a Secretaria de Saúde de sua cidade. “O conhecimento científico que obtenho na academia e a troca de experiências com professores e colegas foram fundamentais para minha segurança e êxito na minha atuação como gestor”, diz ele.

Novos horizontes

Cursar uma pós também é um modo de corrigir a rota profissional. Para quem está prestes a assumir uma nova função em uma empresa, os cursos de especialização são ideais. Essa modalidade de estudo oferece, em pouco tempo, um apanhado geral de uma área do conhecimento, capacitando o profissional a dominar determinado assunto com segurança. Fabrício de Moura, de 41 anos, CEO da Miner Marketing Intelligence, empresa de desenvolvimento humano e organizacional, viveu essa trajetória. Ele trabalhou em agências de publicidade e no setor de marketing de algumas empresas até que, em 2002, decidiu fazer um MBA Executivo no Insper, em São Paulo. Nessa época, Moura estava envolvido com treinamento de pessoal, e o desligamento da empresa para a qual trabalhava foi a senha para criar coragem de empreender. “Com o conhecimento adquirido no MBA eu pude desenhar um modelo de negócio e estruturar a minha empresa”, conta. Depois de participar de um programa de aconselhamento de careira para os alunos de graduação, ele mergulhou de cabeça no assunto, com pesquisas nas áreas de psicologia, sociologia e estratégia. “Montei um roteiro de treinamento que teve resultados surpreendentes e é hoje o carro-chefe da minha empresa”, comemora Moura.

Rede de contatos

Uma das consequências de fazer uma pós é conviver com pessoas de mesmos interesses e campo de atuação e, assim, ampliar a rede de contatos profissionais – ou seja, o networking. Ao mesmo tempo em que se engorda a agenda de telefones, essa exposição e esses encontros constituem um modo de se fazer conhecido no mercado. A médica Cristiane Tsuboi, de 33 anos, sabe disso. Ela atua no terceiro setor e concluiu recentemente o International MBA da Fundação Instituto de Administração (FIA), em São Paulo. A instituição mantém uma associação de ex-alunos coesa e ativa. E isso foi de grande valia para a médica. “Desde que ingressei no MBA, muitas portas vêm se abrindo. Tenho sido contatada por empresas e pessoas interessadas no meu perfil”, diz ela.

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *